segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Imensas janelas pelas quais revelo minha parca de luz de luar



DE PROFUNDIS


Há um restolhal, onde cai uma chuva negra.
Há uma árvore marrom;ali solitária.
Há um vento sibilante, que rodeia cabanas vazias.
Como é triste o entardecer

Passando pela aldeia
A terra órfã recolhe ainda raras espigas.
Seus olhos arregalam-se redondos e dourados no crepúsculo,
E seu colo espera o noivo divino.

Na volta
Os pastores acharam o doce corpo
Apodrecido no espinheiro.

Sou uma sombra distante de lugarejos escuros.
O silêncio de Deus
Bebi na fonte do bosque.

Na minha testa pisa metal frio
Aranhas procuram meu coração.
Há uma luz, que se apaga na minha boca.À noite encontrei-me num pântano,
Pleno de lixo e pó das estrelas.Na avelãzeira

Soaram de novo anjos cristalinos.


Georg Trakl

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